terça-feira, 17 de novembro de 2009

A Loira da Uniban

Meu pitaco sobre a loira da Uniban – se o assunto ainda interessa, que tudo passa na velocidade das cenas: a loira da Uniban foi atacada porque é meio gordinha.
Isso mesmo. Por ser meio gordinha e buscar a sensualidade foi seqüenciada por esse corredor de ojerizas. Certo que um público de faculdade particular não é lá essa sumidade em projeções da diferença. Se nem o corpo discente das federais se posta como algo visível para fora do muro senso comum, não vamos agora inflar a análise para a galera dessas particulares. Eu conheço bem esse público. Já enfrentei turmas que queriam muito menos o que eu poderia oferecer – ou queriam matérias mesmo, dessas que colorem os cadernos organizados, e que qualquer ida ao Google hoje resolve. Já fui atacado por uma aluna ( de pós!!!) que simplesmente me enfiou a caneta na barriga porque não estava bem ( isso ficou claro, e minha sorte é que a adiposidade suavizou o seu movimento impensado, ficando apenas um sangue azul na camisa ), ou tenha perdido ela a atenção buscada, alumnos sempre buscam uma atenção especial, ou estava com algum encosto, que existem muitos disponíveis. Já vi coisa de bastidor: vi aluno me entregando nas coordenações porque queria a explicação pormenorizada de reflexões, aluno que estava ali apenas para decorar a matéria fugindo do espírito acadêmico – raridade em qualquer instituição. Já viajei com uma professora que me contou que numa turma no Sul recusaram uma colega por ser ela negra. A turma simplesmente não apareceu: de 40, apenas 3 gatos pingados constrangidos. Tentei saber quem era, qual local, detalhes desse fato tão imundo, mas me disseram que a própria professora não queria publicidade sobre seu caso e. É. Melhor voltar, então, à cena da loira da Uniban – que na piada paulista virou Taleban. Sim, os talebans que obrigam suas mulheres a se cobrirem com a burca – e elas, quase inexistentes, arrastam-se pela poeira da região para confirmar que a tradição é cruel. No final, sempre sobram para as mulheres. Ah, as Amazonas sumidas que não voltam nunca!
Volto ao caso da loira da Uniban: o problema ali foi por ela ser rechonchuda, e não desfilar nos corredores da Renascença. No império da era da academia ( de malhação ) o que se mostra é o músculo trabalhado, a barriguinha sarada, as pernas sequinhas, glúteos torneados. Talvez a revolta tenha-se iniciado aí. Ao se mostrar com vestido tão destacado, e vermelho, a loira atingiu um dogma estético, dos poucos que se tem hoje: o corpinho sarado. E todo martírio para se alcançar esse estado.
Um outro episódio, com a Preta Gil, pode ajudar essa análise psicológica meia-bomba: Preta Gil posou para uma revista, como se modelo fosse, e a repercussão foi tamanha, um escândalo. Tantas beldades extemporâneas e celebridades instantâneas, como dizia o bicheiro do Zé Wilker, posam, abrem-se e são clicadas, e no máximo pousam em alguma oficina mecânica, por fim. É normal a gostosa se apresentar, com ou sem reparos técnicos, para o grande público. É seu mérito. A loira da Uniban queria apenas chegar a mais uma aula do curso de Turismo. As escadas devem ter aumentado as escalas, suas dimensões fora do padrão. Ora, um público domesticado pelo olhar senso comum logo logo farejou a diferença. E leu como provocação terrível, um estranhamento repulsivo. Que se a loira fora do padrão cobiçado ainda assim afrontava o pátio com seu corpanzil – era uma vagaba.

Alguém que se ache bonito, que se goste e queira se mostrar (talvez porque o espelho a admira e reduza as partes), mesmo que alguém se ache assim, possível, para que na pista acadêmica demonstre que seu corpicho está apto a ser demonstrado. Não pode!
A loira da Uniban fez a direção da faculdade ficar mais perdida que cachorro em mudança. Que se ela, ferindo a dignidade acadêmica, merecia ser jubilada, depois não, ou que ela se adaptasse então para voltar para a dignidade acadêmica. Que se cubra, ou emagreça! Um padrão sempre deve ser reverenciado – nas academias.
Esse termo, dignidade acadêmica, onde esse termo poderia ser parâmetro para a academia, dos novos e velhos tempos?
Que se a dignidade, ferida nos corredores, corresse para as salas e os projetos e os trabalhos e as reflexões e as produções e textos, textos e mais textos, e suas originalidades, ih, que revolução se daria nos detratores e em seus corretores!

Seria mesmo uma saia justa!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Tudo uma confusão

Sim, está tudo muito confuso. Não me atrevo a falar mais em política. Não entendo mais nada. Nem a mundial, nacional ou pessoal. Política é o fim, já o disse o poeta baiano. Aqui, na nacional, estamos mais ou menos assim: os éticos se uniram aos picaretas para se manterem no poder. Os picaretas voltaram então ao poder, depois de cassados, excomungados, alijados. Os éticos, que deixaram pra lá a ética por um tempo, pensam a situação do Brasil por este prisma: resgatar os picaretas e mostrar-lhes que é possível sustentar uma política de resultados, dentro de uma certa margem positiva. Ocorre que os picaretas, com um veneno sem antídotos no sangue, acabam por revelar sem querer aos ex-éticos essa contaminação. E tudo, contaminado, passou a ser um cenário comum, no mantra invertido do sempre foi assim. Os ex-éticos se surpreendem com esse vazio, conseqüência do poder ( ? ), com esse desnível do discurso maquiando ações não republicanas, sentiram que foram levados a isso. Mas seguem em frente, farejando a tal da ética, para no futuro dela fazerem uso. Porque foi ela quem os alçou a esse patamar de ouro, ou cobre. Foi ela que mapeou o caminho das pedras. Ela é a pedra de toque, de troca (?).
Os da esquerda rodopiaram tanto para convencer o mundo que criariam uma nova esquerda inofensiva aos mercados ( os ex bam bam bans da parada mundial, que da jogatina virtual e real dos montantes quase destruíram tudo ) que foram parar no centro, tendendo à direita ( têm horror dessa análise, como se fosse uma acusação ). Os da direita, sempre escapulindo dessa classificação, pesada no país, por causa da ditadura, assumiram um ar de social-democratas, tentando conjugar com os ex-social democratas (adoradores da privatização fácil ) que fingem jamais terem governado o país. E apontam a aliança dos ex-éticos com os picaretas como algo repulsivo, esquecendo-se que fizeram no passado recente uma aliança dos acadêmicos com os coronéis. Profícua e disforme.
Os verdes buscam depurar-se da política marrom, do inchaço, correndo contra o tempo, para ver se dará tempo de se apresentarem com o novo discurso, limpos. Querem o desenvolvimento sustentável. Tomara que apresentem ao menos uma solução para o lixo – e os plásticos. E que pensem em algo realmente novo, que tal transporte leve sobre trilhos?
O maior partido é forte e fraco, um saco de lebres. Seu valor é o tempo que empresta a outrem para, na TV, revelar-se o projeto, de algum poder que virá.
Na minoria, os trotskistas cristãos aceitaram uma parcela de anarquistas enamorados pelo esquema oficial e pós-católicos enérgicos, mas levam com mão fechada as chaves do partido. Temem o crescimento que pode trazer-lhes a tal contaminação. E nunca entendi muito esses pensadores/ativistas russos. Os stalinistas falam de democracia social e estão cada vez mais ligados aos desportos (?). Bem, tá certo, os times usam uniformes.
No mais, quase tudo que seria maracutaia – provada ou divulgada – se desfaz no órgão máximo que julga pela técnica, na interpretação da Lei. Acreditam-se neutro na política. Mas eles foram indicados pelos acadêmicos e coronéis e pelos éticos, ex-éticos e picaretas. O que não quer dizer que se comprometeram, eis, creio? E cumprem, como sacerdotes, um ritual que transforma em pó qualquer material pesado.
No campo pessoal, não, não irei falar, não tenho o poder de transformar em pó nada, nadinha. Quisera transformar em pó as pedras que tanto me perturbaram. Em outras ocasiões já quis rolar as pedras sobre desafetos e gente sacana.
Tudo comigo cresce numa terceira dimensão, como se as relações tomassem vida própria e se expandissem e falassem comigo em terceira pessoa. Quero falar que o Rio está tenso e disfarça geral essa uruca da guerra do tráfico. No tráfego todos querem se livrar da rua. Na rua todos querem se livrar da esquina. E fiquei pensando nesse movimento tenso, que passou por mim. Na fragilidade exposta com tanta gente alegre. Um norte para o Rio. Uma nova Zona Norte. Um parangolé em cinzas dançou no Jardim Botânico, isso foi inacreditável. Como o helicóptero pousando suas chamas. Ou os meganhas furtando o coordenador do Afroreggae baleado por bandidos, liberados. Falar o quê?
Hoje meu norte é somente oferecer água que eu beba para visitas, mesmo as indesejadas. Mas não deixo de colocar a vassoura atrás da porta. E defumar toda a casa depois. Para afastar a confusão.

sábado, 3 de outubro de 2009

Rio 2016

A euforia que tomou conta das autoridades e da população em geral com a decisão de se fazer as Olimpíadas no Rio em 2016 ainda não me arrebatou. Seja porque o Rio é uma cidade acostumada a grandes eventos, com um Réveillon dos mais desejados e o maior carnaval do mundo, seja pela dualidade em se festejar e ao mesmo tempo questionar o desperdício de dinheiro público que já se antevê: essa questão foi colocada em vários e variados comentários sobre a escolha da cidade, como uma conseqüência natural, praga de nossa cultura política.

Evidente que o Pan-Americano ainda está como um fantasma assombrando a lisura das obras, sua perenidade e utilidade.

O Rio tem, naturalmente, condições de receber e produzir uma Olimpíada singular.

Não há, como o Rio, cidade que saiba festejar mais, interagir mais com visitantes.

Os problemas de violência e segurança, tão propalados, sequer chegam próximos de outras cidades onde a possibilidade de atos terroristas desfazem qualquer ideal olímpico. Ou mesmo, como em Pequim, onde o peso do regime comunista pairava pesado sobre tudo. Uma antítese radical com o ideal olímpico.

Será uma oportunidade única para que o Rio receba o tratamento que merece. Uma cidade que, em seqüência, teve prefeitos que fizeram no máximo experiências de urbanização, absolutamente temporárias.

O Rio Cidade, ou favela bairro, calçadas maquiadas, obeliscos, pinturas de fachadas, uma perda de tempo e grana numa cidade que sequer tem um metrô que chegue à rodoviária, que nega ainda o poderio do transporte sobre trilhos ou por mar, tão óbvio para uma cidade com uma baía ( que precisa urgente de tratamento sério de despoluição) e de uma cidade que não preserva seus casarios e história.

A urbanização de favelas precisa enfrentar o que sempre se simulou mas nunca de fato se enfrentou: um poder paralelo que foi se formando diante de uma população dominada e subjugada. Diante de autoridades quase sempre omissas ou sem um projeto real.

O que ocorre é que o tema de investimento inicial da ordem de 25 bilhões reais para o evento já acionou um sinal vermelho: a possibilidade das nada transparentes licitações ou aplicações do dinheiro já produziu propostas de uma comissão especial para acompanhar as obras. Vamos ver. Tomara que além da transparência nas contas, as obras sirvam de fato para a cidade.

Que tal se a euforia das autoridades não se transmutasse em uma nova atitude: conjugar a alegria da Olimpíada no Rio de Janeiro com um projeto honesto de aproveitamento desses investimentos de fato para a cidade, e lógico, tudo dentro de uma rigorosa prestação de contas?

A cidade merece o respeito e a admiração de todos. Espero que, da euforia, surja o jogo limpo. E a cidade assuma de vez o seu imenso potencial turístico.